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Macalla :: Núcleo de Estudos e Pesquisas Celtas
Reconstrucionismo Celta

Paganismo Reconstrucionista Celta (CR)
Escritos por: Erynn Rowan Laurie, Aedh Rua O'Morrighu, John Machate, Kathryn Price Theatana, Kym Lambert ní Dhoireann, ed. por Erynn Rowan Laurie
Email:
inisglas@seanet.com
Tradução Lornnah Carmel 2005

História

A idéia das religiões reconstrucionistas pagãs surgiram pelo menos em meados dos anos 70 e foram discutidas na edição de 1979 do livro de Margot Adler  ‘Drawing Down the Moon’. Algumas organizações, como a ADF têm realizado um trabalho reconstrucionista há alguns anos, mas seu foco nunca foi pura ou particularmente Celta.

Muitas pessoas têm debatido sobre o que constituiria uma espiritualidade e uma religião genuinamente Celta, e como educar as pessoas sobre a diferença entre Wicca e as diversas formas de paganismo Celta. Essas discussões inicialmente aconteciam em publicações pagãs  e ao redor do fogo nos encontros pagãos iniciados no começo dos anos 80. Com o avanço da internet, os diálogos on-line, fóruns e listas de discussão tornaram-se fator critico que encabeçavam uma rápida distribuição de informação depois de 1989. A expressão RECONSTRUCIONISMO CELTA (em inglês, ‘CR’) começou a ganhar uso comum durante o ano de 1992 -93 para descrever indivíduos que estavam tentando entender, pesquisar e recriar um caminho Celta autêntico para pagãos modernos.

Com a fundação da lista de discussão Nemeton-L para pagãos célticos e druidas em 1994, o movimento começou a crescer, unindo indivíduos de todas as partes do mundo. Cada pessoa trazia sua visão particular para esse e outros fóruns que subseqüentemente se formaram. Grupos locais começaram a se formar e assim organizações nacionais começaram a ser fundadas sobre esses princípios. Artigos foram escritos e arquivados e informações foram livremente compartilhadas

A maioria dos fundadores do CR vieram de uma bagagem Wicca, com influencia da ADF, do Keltria e de outros grupos similares. Juntos e separados, eles buscavam textos, estudos dos idiomas Celtas, faziam meditações e trabalhos de jornada espiritual, escreviam poesias e artigos e trabalhavam juntos para juntar material suficiente para criar uma base de sustentação para uma tradição Celta moderna que respeitasse as fontes ancestrais ao mesmo tempo em que rejeitasse componentes das ancestrais religiões célticas que fossem inapropriadas aos praticantes modernos; tais como sacrifícios humanos e outros fortes elementos patriarcais dessas antigas sociedades.

 

Devido à natureza limitada das fontes materiais a respeito do paganismo tribal celta, essas pessoas também consideraram inspirações de outras culturas no intuito de preencher as lacunas para construir rituais e comunidades. Fontes nórdicas, hinduístas e praticas puja, tradições extáticas como Voudon e Umbanda e religiões tribais animistas foram examinadas na intenção de oferecerem semelhanças com o que encontramos nas fontes primarias e secundarias sobre a religião Celta. O trabalho de Sean Ó Tuathail foi fundamental para muitas pessoas nesse movimento construtor, na rejeição do modelo dos 4 elementos e propondo a cosmologia dos Três Reinos que consistem numa tríade de Terra, Mar e Céu. Sua frase, An Thríbhís Mhòr (a grande espiral tripla) tornou-se de uso comum para se referir aos três reinos.

Nesse artigo (Julho 2003) existem grupos ativos e indivíduos na NET, e também um monte de fóruns de discussão ainda que alguns deles sejam bem pequenos. A lista de discussão Nemeton-L continua sendo a maior fonte das comunidades Reconstrucionistas Celtas. O Imbas website tem um importante arquivo de informações sobre Reconstrucionismo Celta e outras tradições similares.

O movimento Reconstrucionista Celta não pretende ou reivindica ser o ‘Verdadeiro e Autentico Sobrevivente’ da nenhuma tradição céltica. Nós reconhecemos abertamente que o que nos praticamos é um punhado de criações modernas, baseadas e inspiradas nas crenças ancestrais célticas. Nós seguimos nossa inspiração enquanto permanecemos tão verdadeiros o quanto nos for possível às referencias que encontramos nos textos antigos, no trabalho dos estudiosos e arqueólogos, e os aspectos práticos do que funciona bem para nós. O Reconstrucionismo Celta é um caminho de constante crescimento e evolução, pesquisa e aprendizado, misticismo e experiência extática e intensa vida espiritual.


Principais Crenças

Nosso caminho é politeísta e animista. Nós acreditamos que existem vários deuses e que eles são entidades separadas e independentes merecedoras de culto. Nós acreditamos que os ancestrais e espíritos da terra/natureza também são entidades individuais merecedoras de reconhecimento e reverencia. Essas entidades existem num grupo coeso e não isolado dividido por categorias. A maioria dos Reconstrucionistas Celtas acredita que as deidades e espíritos agem nesse mundo e em suas vidas pessoais, influenciando-os  e respondendo as preces, oferendas e sacrifícios. Nós acreditamos que o mundo é volvido de espíritos. Alguns acreditam que não apenas os animais e arvores tem almas, mas também montanhas, rios, poços sagrados e outros fenômenos naturais também. Alguns acreditam que objetos criados podem ser imbuídos de espírito. Indivíduos e grupos freqüentemente seguem uma ou mais deidades que eles considerem especial ou tutelar, ou particularmente ligados a sua região ou foco de atividades. Muitos indivíduos se dedicam a uma ou mais deidades patrono/matrona.

As deidades celtas são o principal foco de nosso culto. Quando um reconstrucionista celta trabalha com deidades de outras culturas, ele o faz separadamente e de forma considerada culturalmente propicia àquelas deidades. Praticantes de reconstrucionismo celta raramente misturam ou escolhem espíritos ou divindades de diferentes culturas - até mesmo de diferentes culturas celtas - em um mesmo ritual. Se isso acontecer, será sempre com respeito a cada cultura e deidade envolvidas. Todas as deidades são respeitadas, mas nem todas são cultuadas. Certos na crença de que cada deidade tem desejos e personalidades individuais, Reconstrucionistas Celtas preocupam-se em invocar e trabalhar com deidades que – de acordo com os contos - tenham afinidade umas com as outras.
Reconstrucionistas Celtas acham que se por um lado o culto é apropriado,  humilhar-se perante a deidade não é. Nossas deidades exigem responsabilidade pessoal e que nós ajamos com uma postura de força e respeito próprio.

Muitos Reconstrucionistas Celtas vêem o Cosmos da maneira dos Três Reinos, da Terra, do Mar e do Céu. Outros consideram um Submundo, um ‘Meio Mundo’ e um Mundo Superior em seu entendimento de cosmologia. Ainda há outros que considerem uma idéia de Outro Mundo ou Outros Mundos que coexistam com esse aqui. Todos esses Outros Mundos são considerados reais e acessíveis àqueles com habilidades especiais. Em todas essas abordagens, o fogo exerce um diferente papel que nos principais neopaganismos e Wicca. O fogo, particularmente o fogo que vem da água, pode ser visto como símbolo do Imbas ou Awen - a divina inspiração. Alguns vêem isso como o pivô central sobre o qual o Cosmos gira - um equivalente espiritual a arvore do mundo.


A árvore da vida e entendida como o centro do Cosmos, sob a qual os vários mundos são suspensos ou da qual crescem. Essa arvore pode ser fisicamente representada tanto como uma arvore real quanto por um poste que pode ser o poste central ou pilar de sustentação de uma área ritual ou da casa de alguém.

Deuses e espíritos são percebidos como semelhantes aos seres humanos e assim eles tem mau humor, desejos e vontades, e do ponto de vista de que eles não são necessariamente amorosos e bondosos e tempo inteiro. Que existam perigos nos espíritos do mundo é completamente reconhecido e aceitável. Oferendas são algumas vezes dadas como apaziguadores assim como presentes para esses seres.

Quando os elementos são discutidos ou usados em nossos rituais (e nem todos os Reconstrucionistas Celtas o fazem), o número varia de sete a onze, baseado no conceito de diferentes aspectos do mundo físico como ‘elementos’. Fenômenos físicos como chuva, sol, nuvens, plantas, pedras, solo, mar, vento e outros, são elementos e por vezes são equiparados com partes do corpo ou conceitos filosóficos importantes no conhecimento, como consta em algumas fontes primarias de material. O sol por vezes, e igualado ao rosto, estrelas aos olhos, nuvens à mente ou pensamentos e plantas aos cabelos. É comum dizer que os reconstrucionistas não acham tabelas de correspondências algo que tenha muita utilidade, uma vez que o universo é um orgânico e não fica bem dentro de caixas e divisórias...

 

Nos ramo irlandês e no escocês de Reconstrucionismo Celta, o corpo e visto como contingente de uma estrutura energética interna em forma de 3 caldeirões que promovem e processam energia e inspiração vinda das deidades. O estado dos caldeirões em um corpo refletem em seu estado de saúde física e emocional.Trabalhos de cura e meditação são freqüentemente realizados com esses 3 caldeirões.

Homens e mulheres são iguais em poder e capacidade na liderança de grupos reconstrucionistas. Ambos ocuparão cargos de pesquisadores, estudiosos, clérigos, guerreiros, artesãos, líderes tribais entre outros. E dada igual reverencia aos Deuses e Deusas. O reconstrucionismo celta está repleto da participação de minorias sexuais, muitos de seus fundadores e pensadores são gays, lésbicas, bissexuais ou transformistas. O feminismo é visto por muitos como componente vital de suas filosofias, praticas e trabalho pessoal.

Ainda que muitas pessoas de ancestralidade celta sejam adeptas do movimento, ser descendente dos Celtas não é obrigatório. Nós respeitamos todos os nossos ancestrais e professores, sendo eles Celtas ou não. Muitos de nós possuímos pouca ou nenhuma ancestralidade Celta, mas todos nós aceitamos o ancestral povo Celta como ancestrais espirituais em nossa busca pessoal. Já que sabemos que toda a humanidade se originou na África, acreditamos que somos todos de uma grande família humana, com um só sangue. Celtas reconstrucionistas são todos fortemente anti-racismo e abertos a pessoas de todas as cores, raças e etnias que desejem seguir as Divindades Celtas no estilo reconstrucionista. 

Nosso trabalho na reconstrução de uma religião céltica autentica foi influenciado pelas práticas indígenas de outras culturas como Vodu, animismo tribal e Hinduismo. Contudo, não incorporamos aleatoriamente  partes dessas tradições, nem clamamos representá-las; elas têm suas próprias estruturas religiosas e comunidades. Nós fazemos o que podemos com o conhecimento Celta onde existem lacunas vazias, e então buscamos as tradições sobreviventes com práticas similares para termos uma melhor idéia de como preencher os espaços vazios mantendo o espírito celta. O conhecimento de outras culturas também seve como um maravilhoso feedback para examinarmos e validarmos o conhecimento que vem de nossa inspiração individual. 

Devido ao nosso elo com os espíritos da natureza e ao fato de que a Terra onde vivemos é sagrada, muitos celtas reconstrucionistas consideram o envolvimento com o meio ambiente e o ativismo uma parte fundamental de suas práticas. Muitos se empenham em conhecer a ecologia local, considerando de vital importância conhecer plantas, pássaros e animais como uma maneira de se conectar com o território em que vivem os espíritos da natureza. Metáfora natural é uma coisa comum na linguagem dos filósofos, ritualistas e pensadores reconstrucionistas e nós absorvemos isso da longa tradição de poesia natural e misticismo das Terras Celtas. Ativismo ecológico e eco feminismo também fazem parte das práticas individuais do movimento reconstrucionista.   

Pesquisa, misticismo e experiência extática e inspiração pessoal são todos valiosos no Reconstrucionismo Celta. Todos são necessários, ainda que alguns indivíduos e grupos coloquem um ou outro como prioridade.

 

Habilidade pesquisadora e conhecimento teórico são profundamente respeitados no movimento. Entendimento e apreciação histórica também são importantes. Conhecimento das línguas celtas não é necessário, mas um vocabulário prático de termos técnicos é valorizado e respeitado no movimento. Alguns conduzem os rituais parciais ou inteiramente em língua celta quando possível. Inspiração individual e os frutos dessa meditação, êxtase e trabalhos misticamente orientados também são trabalhos altamente valorizados. Todos são debatidos, compartilhados e examinados para que sejam incluídos às praticas individuais ou grupais. 

 

Estrutura clerical

 

Onde existem cleros no Reconstrucionismo Celta (em muitos ramos não existe nenhuma espécie de clero ou estrutura que o valha) ele é freqüentemente formado por professores ou compositores ou líderes de um grupo ritual. Os clérigos podem ser curandeiros ou árbitros em disputas, dependendo da comunidade que participam. Eles freqüentemente são adivinhadores, filósofos e teólogos do movimento, ainda que nenhuma dessas atividades seja exclusiva aos membros do clero. O Reconstrucionismo Celta descreve-os como Draoi ou Filidh, ou outros termos em idioma celta.

O Reconstrucionismo Celta não é uma religião clerical como a Wicca e como druidismo em geral tende a ser. Guerreiros, fazendeiros, escritores, artesãos e muitos outros podem seguir um caminho doméstico ou praticar com um grupo que possua clero. Artesãos, escritores e outros podem se identificar como Aes Dána ou "pessoa da arte". Indivíduos podem consultar alguém que considerem clérigos por conjectura pessoal ao invés de pertencer a um grupo. Todos são bem vindos, tenham preferência por seguir um caminho clerical ou não.

Organização de grupos

Os grupos organizam-se de maneira diferente. Não existe uma estrutura universal seguida por todos ou pela maioria de praticantes de Reconstrucionismo Celta. Alguns se identificam como Bosques (Grove) outros como Tribo ou Tuatha outros preferem ser famílias enquanto outros preferem se organizar em colégios druídicos, hedge schools, ordens Bridianas, e etc. Não existem regras regulamentando a criação ou a prática de grupos a não ser os princípios gerais e éticos da própria tradição em si.

Princípios de conduta

Os praticantes de reconstrucionismo celta acreditam que há limites para o que se pode e se deve fazer num senso ético e social, baseado em conceitos tirados das Brehon Laws da Irlanda e outras fontes tradicionais, tais como as Instruções de Morann mac Main ou as Tríades Irlandesas e Galesas. Alguns reconstrucionistas celtas submetem-se a uma série de virtudes seguidas por muitos, tais como: Verdade, Honra, Justiça, Lealdade, Coragem, Comunidade, Hospitalidade, Força e Gentileza.

Guerreiros são honrados, mas a violência não é a primeira nem a melhor solução para resolver um problema. As pessoas dentro do movimento podem ser veteranas ou pacifistas, por vezes são ambos. O posto do guerreiro é visto como de legítimo protetor da tribo, não como alguém que acerta o primeiro que lhe der na telha...

Reconstrucionistas Celtas rejeitam veementemente racismo, sexismo, homofobia e qualquer outra forma de discriminação que divida as pessoas em grupos rivais.

Dias Sagrados

Reconstrucionistas Celtas seguem os 4 festivais principais dos Antigos Povos Celtas, são eles:

o        Oíche Shamhna / Samhain

o        Lá Fhaile Bride / Oímealg

o        Lá Bealtaine / Bealtaine

o        Lá Fhaile Lúnasa / Lughnasadh

Grupos e praticantes isolados podem talvez pronunciar ou nomear esses festivais de diferentes maneiras, na linguagem da cultura que estejam almejando reconstruir. Os nomes podem ser em galês, córnico, gaulês ou outros idiomas. Reconstrucionistas gauleses geralmente celebram os festivais de acordo com o calendário de Coligny. De maneira geral, as estações são marcadas por mudanças do clima e da paisagem local e não da estrita observação de datas no calendário. Reconstrucionistas por todo globo consideram a observação dessas mudanças mais útil que  qualquer  vinculo ao calendário.

Além destes 4 festivais, grupos e indivíduos podem acrescentar festivais ou devoções a deidades individuais ou de acordo com o clima local, um fenômeno natural local que tenha significado para eles. No Pacifico noroeste, reconstrucionistas celtas celebram um festival anual na época dos salmões. Outros talvez celebrem um festival para Épona no começo de dezembro ou em Man eles paguem tributos a Manannan por volta do solstício de verão.

Modos de culto

O culto varia enormemente no movimento reconstrucionista. As semelhanças se encontram mais na concordância filosófica que na consistência dos padrões rituais entre os grupos.

Reconstrucionistas Celtas não traçam círculos, ao contrário de muitas outras tradições neopagãs. Sentimos, no movimento, que o mundo inteiro é sagrado, e assim não temos que delinear o que é ou não sagrado. Alguns reconhecem 4 ou 12 ventos, marcando divisões no mundo em quadrantes ou províncias. A maioria dos reconstrucionistas monta altares, lareiras ou santuários em suas casas, alguns dedicados a deidades individuais, outros a espíritos ou ancestrais, alguns montam altares para propósitos mágicos específicos como cura ou inspiração. Muitos altares não têm a forma padrão neopagã (mesas) ou templo com objetos, mas podem ser a raiz de uma árvore, um monte de pedras, uma fonte... 

Divindades são chamadas para nosso culto como convidadas e como foco de nossa devoção. Espíritos e ancestrais também são convidados.A maioria dos rituais envolvem oferendas de comida, bebida, incenso e outras coisas.As vezes são feitos pedidos as Deidades, espíritos ou ancestrais ainda que essa não seja a razão principal do ritual. Se pedidos são feitos, oferendas são sempre levadas. Divinação é freqüentemente feita após a entrega de uma oferenda para verificar se ela foi aceita.


Aqueles que cultuam Bríd podem organizar células de 19 pessoas (alguns grupos só admitem mulheres) para guardar sua chama sagrada. Essas células normalmente são formadas por indivíduos espalhados por todo mundo os quais guardam a chama em um determinado dia e se revezam durante um período de 19 dias. Acredita-se que Bríd em pessoa mantém a chama no vigésimo dia. A maioria dos grupos não possui um ritual específico, mas pede que cada pessoa dedique seu trabalho à Bríd nesse dia. Seguidores de outras deidades podem fazer meditações similares ou trabalhos de vigília, seja em grupo ou sozinho.

 

Alguns reconstrucionistas celtas estão elaborando formas modernas de rituais de tenda de suor. Sabe-se que estes rituais fizeram parte de práticas de cura antigas entre celtas insulares e podem ter sido utilizadas com propósitos visionários ou de cura.  Incubação de sonhos e práticas para acessar inspiração, chamados de Imbas em irlandês ou Awen em galês também estão sendo exploradas. Meditações estilo Mala ou Rosário também tem tomado lugar no movimento, inspirados pelo livro  A Circle of Stones de Erynn Rowan Laurie. Muitas pessoas tomaram essas idéias básicas e criaram suas próprias meditações voltadas às suas deidades pessoais e seus padrões culturais.

 

Muitos reconstrucionistas celtas consideram cada ação diária como uma forma de ritual. Alguns tiram inspiração do Carmina Gadelica e criam músicas e orações para cada etapa do dia. Outros fazem oferendas quando estão colhendo ou lidando com ervas. Alguns rituais são vistos com igual ou maior importância que os 4 festivais principais. Isso varia de dia para dia e de propósito para propósito. Normalmente reescrevemos nossas preces e feitiços de fontes medievais. Muitos trechos Cristãos de manuscritos aparentam ser acréscimos tardios aos textos, os quais do contrário teriam um forte espírito pagão. Reeditá-los e dedicá-los a deidades pagãs parece justo e natural. Não acreditamos que um ritual deva ser formal para ter efeito ou ser útil e tais ações diárias estão de acordo com uma cultura baseada num estilo de vida tribal.

 

Alguns reconstrucionistas rurais que criam animais para alimentação, fazem oferenda aos animais e oferecem o espírito desses animais aos deuses num ritual de sacrifício. Sacrifícios dessa espécie são feitos apenas quando o animal seria de qualquer maneira morto para alimentação. Outros sacrifícios incluem quebrar objetos rituais e oferecê-los em fogueiras ou fontes de águas naturais como presente para as deidades ou espíritos, ou fazer figuras de ervas sagradas para sacrifícios de outros tipos.

A magia é parte da prática reconstrucionista. Embora ela não seja tão central para nós quanto em outros caminhos pagãos, ela ainda faz parte do nosso dia-a-dia Reconstrucionistas não trabalham no formato platônico, hermético ou de magia cerimonial, nem quando se trata do modo como eles entendem o Cosmos e os espíritos do mundo. O Ogham é um veículo comum de adivinhação, assim como a análise das penas de um pássaro ou o observar das nuvens. Os estados oníricos e de visões são fontes de inspiração e divinação importantes. A poesia e a música são freqüentemente vistas como componentes fundamentais da magia reconstrucionista. Feitiços elaborados a partir dos feitiços encontrados no folclore celta tradicional são constantemente usados, com poemas cantados sobre eles para aumentar seu poder. Reverencia as deidades e ajuda dos espíritos quase sempre fazem parte da magia reconstrucionista. 

Referencias

Abaixo você encontrara livros e sites que não estão simplesmente diretamente ligados a Cultura Celta, espiritualidade e história. Esses livros estão entre aqueles que inspiraram os autores desse ensaio em seu Caminho Reconstrucionista Celta. As Leis Brehon dizem "todas as coisas estão conectadas por um laço de poesia". Essa lista é um resumo de nossas experiências e inspirações, conjecturas e criações, linhas que criaram o tartã de nosso movimento. Espero que bebam dos mesmos poços e riachos que nos saciaram.

Livrarias de livros Celtas, lingüísticos e usados, a Internet, são fontes bem melhores para estes materiais do que lojas esotéricas. Sites como www.abe.com são muito úteis.

Slán beo!

Websites:

Nemeton-L
http://technovate.org/web/nemeton/
Imbas
http://www.imbas.org
CR_R LiveJournal community
http://www.livejournal.com/community/cr_r/
Daughters of the Flame
http://www.obsidianmagazine.com/DaughtersoftheFlame/
Ord Brighideach
http://www.ordbrighideach.org/
Carmina Gadelica - Ortha nan Gaidheal
http://www.smo.uhi.ac.uk/gaidhlig/corpus/Carmina/
Foclòir Draíochta - Dictionary of Druidism by Seán Ó Tuathail
http://www.imbas.org/focloir.htm
Imbas Forosnai
http://www.geocities.com/Athens/Delphi/4715/imbasforosnai.html
Celtic Studies Resources
http://www.digitalmedievalist.com/
Táin Bò Cœalnge/Cattle Raid of Cooley
http://vassun.vassar.edu/~sttaylor/Cooley/
Irish Archeology
http://www.xs4all.nl/~tbreen/ireland.html
Irish Folklore Collection
http://www.ncf.carleton.ca/~bj333/folklore.html
Irish Lit, Mythology, Folklore and Drama
http://www.luminarium.org/mythology/ireland/
Scotland's Past

http://www.scotlandspast.org

 Websites contribuintes:

Aedh Rua:
http://www.geocities.com/tuath_choilraighe/
Erynn:
http://www.seanet.com/~inisglas
John:
http://www.thunderpaw.com/neocelt/
Kathryn:
http://www.bandia.net
Kym:
http://www.cyberpict.net/

Cultura Celta e Espiritualidade:


Celtic Heritage, Alwyn & Brinley Rees
The Druids, Peter Berresford Ellis
Ancient Irish Tales, Cross & Slover
The Mabonogi & Other Welsh Medieval Tales, Patrick K. Ford
Carmina Gadelica, Alexander Carmichael
The Celtic World, Barry Cunliffe
The Making of a Druid, Christian-J. Guyonvarc'h
Pagan Celtic Britain, Anne Ross
Celtic Art, Ruth & Vincent Megaw
Dictionary of Celtic Mythology, James MacKillop
The Silver Bough, F. Marian McNeill
Early Irish Literature, Myles Dillon
A Circle of Stones, Erynn Rowan Laurie
Power of Raven, Wisdom of Serpent, Noragh Jones
The Fairy Faith in Celtic Countries, W.Y. Evans-Wentz
The Celtic Consciousness, Robert O'Driscoll, ed.
Women in Celtic Myth, Moyra Caldecott
Women of the Celts, Jean Markale
The Celtic World, Miranda Green, ed.
Celtic Mythology, Proinsias MacCana
Pagan Celtic Ireland, Barry Rafferty
Symbol and Image in Celtic Religious Art, Miranda J. Green
Celtic Goddesses: Warriors, Virgins and Mothers, Miranda Green
A Guide to Irish Mythology, Daragh Smyth

Outras fontes influentes:


Myths and Symbols of Pagan Europe, H. R. Ellis Davison
In Search of the Indo-Europeans, J. P. Mallory
The Origins of European Thought, R. B. Onians
The New Comparative Mythology, C. Scott Littleton
Death, War and Sacrifice, Bruce Lincoln
The Northern Goddess, Hilda Ellis Davidson
The Lost Beliefs of Northern Europe, Hilda Ellis Davidson
The Pagan Religions of the Ancient British Isles, Ronald Hutton
The Dream Seekers: Native American Visionary Traditions of the Great Plains, Lee Irwin
Sacred Land Sacred Sex, Rapture of the Deep, Dolores LaChapelle
Deep Ecology, Duvall & Sessions, ed.
Yoga: Immortality and Freedom, Mercea Eliade
Reweaving the World: The Emergence of Ecofeminism, Diamond & Orenstein ed.
Divine Horsemen: The Living Gods of Haiti, Maya Deren
Jambalaya, Luisah Teish
Women in Prehistory, Margaret Ehrenberg
The Death of Nature: Women, Ecology and the Scientific Revolution, Carolyn Merchant
Staying Alive: Women, Ecology and Development, Vandana Shiva
Toward an Anthropology of Women, Rayna R. Reiter, ed.
In Search of the Primitive: A Critique of Civilization, Stanley Diamond
Another Mother Tongue, Judy Grahn

Aspectos especiais:


*Poetas e Sábios:

Spellcraft, Robin Skelton
Samhain & Other Poems in Irish Metres of the Eighth to the Sixteenth Centuries, Robin Skelton
The Irish Comic Tradition, Vivian Mercier
Poetry & Prophecy, Nora K. Chadwick
The Wisdom of the Outlaw, Joseph F. Nagy
Nine Gates: Entering the Mind of Poetry, Jane Hirschfield
Medieval Irish Lyrics, James Carney
Ancient Irish Poetry, Kuno Meyer
A Celtic Miscellany, Kenneth Hurlstone Jackson

*Guerreiro

The Frailty Myth, Colette Dowling
The Art of War, Sun Tzu
The Awakened Warrior, Rick Fields, ed.
Ancient and Medieval Warfare, Thomas E. Griess, ed.
Everyday Violence, Elizabeth Stanko
Celtic Warriors, Daithi Ó hOgain Lannaireachd: Gaelic Swordsmanship, Christopher Thompson

*Agricultores

Choosing Simplicity, Linda Breen Pierce
The Foxfire Series, Eliot Wigginton ed.
Tom Brown, Jr. Field Guides
Successful Small-Scale Farming: an Organic Approach, Karl Schwenke

 

Este texto Copyright © Erynn Rowan Laurie, Aedh Rua O'Morrighu, John Machate,
Kathryn Price Theatana, Kym Lambert ní Dhoireann
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