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Macalla :: Núcleo de Estudos e Pesquisas Celtas

Macalla

Gaulês Reconstruído
Por Endovelicon

Fale sobre o Gaulês e alguns torcerão o nariz, dizendo: “ah, mas isso é uma língua morta!”; outros, do tipo que se lembra com carinho dos quadrinhos do Asterix, só dirão: “por onde começo?”. É um assunto polêmico, e aparentemente não há meio-termo nesta questão de aprender (ou não) o Gaulês.

História

O Gaulês faz parte do grupo das línguas Celtas, mais especificamente do grupo Celta Continental (em oposição ao Celta Insular, onde estão o Irlandês, o Galês e outros); como seus companheiros de grupo, o Lepôntico, o Celtibérico e o Gálata, ele foi extinto e não há mais falantes nativos dele (embora um comentário polêmico de São Gregório de Tours, no VIo. Século d.C, mencione a existência de pessoas ainda usando o Gaulês em pequenas comunidades rurais).

Ele era escrito pelos Gauleses da Gália Transalpina no alfabeto Grego, e no Latino pelos Gauleses da Gália Cisalpina e nos territórios Romanizados (em alguns casos, mesmo o alfabeto Etrusco foi usado); o Gaulês é do grupo das línguas P-Celtas, ou seja, ao separar-se do Proto-Indo-Europeu (PIE) ele mudou o som (kw) inicial de algumas palavras para (p) – em Gaulês, “filho” é mapos , similar ao map/mab Galês, mas diferente do mac Irlandês, que preservou o (kw); do mesmo modo, “cavalo” é epos, o que no Irlandês antigo era ech , vindo do PIE eqos.

A mais famosa inscrição em Gaulês é a do Calendário de Coligny, onde os nomes dos meses e algumas abreviações desconhecidas estão em Gaulês, lado a lado com numerais Romanos – esta inscrição é dum período tardio, onde a Romanização já se fazia sentir, e a necessidade de preservar o registro escrito se manifestou.

À primeira vista, o Gaulês apresenta muitas similaridades com o Latim, tanto em sonoridade/grafia como em certas peculiaridades gramaticais, como mostra este site; isto, de certo modo, torna o aprendizado do Gaulês aparentemente mais fácil para falantes de línguas Latinas como o Português.

Como Aprender

Há duas opções, ambas via Internet: buscar a reconstrução do Gaulês, amparada nas similaridades com as outras línguas Celtas e no que se sabe sobre as regras que regem a evolução histórica das linguagens, ou usar o Gaulês-como-era, ou seja, o pouco que restou em inscrições e monumentos antigos, e as análises gramaticais deste material original, feitas por lingüistas e eruditos.

No primeiro caso, a variante mais popular do Gaulês reconstruído é o Labarion, dialeto criado por Antonio Tolosa-Leal, que criou uma lista no Yahoo, Celticaconlang, para o estudo e aperfeiçoamento do seu dialeto, com o glossário, gramática e exercícios variados:

--Subutâ, tigerne. Popi tû? (Salve, senhor. Como vai?)

--Mati emmi, gnata. Bûdia tei. (Estou bem, filha. Obrigado.)

--Cradiû! (De nada!)

Para quem quer algo mais tradicional, há alguns sites com vocabulário básico, extraído das fontes iconográficas:

Gaulish

Gaulish-English dictionary

Este site apresenta as palavras em Francês moderno que têm origem no Gaulês:

Mots français d'origine gauloise

Estes links apresentam as regras para a formação dos nomes em Gaulês (para quem quiser ter um nome como os dos Gauleses do Asterix!)

Chronarchy´s Blog

Name´s Construction in Gaulish

Estes apresentam algumas inscrições e sua transliteração / tradução:

Titus Didactica

Inscriptions Gauloises (PDF em francês)

 

Subuta olloi! (Saudações a todos!)
Endovelicon

24 o . de Ogronios, 2007

 

 
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